Titanic - O Filme: Inspiração e roteiro do Titanic

Inspiração e roteiro do Titanic

James Cameron era fascinado por naufrágios, e, para ele, o RMS Titanic era "o Monte Everest dos naufrágios". Ele estava passando do ponto de sua vida em que poderia considerar uma expedição submarina, porém disse que ainda tinha "uma inquietação mental" para viver a vida que tinha recusado quando saiu da universidade de ciências para estudar artes. Quando um filme IMAX foi feito de imagens dos destroços do navio, ele decidiu procurar financiamento em Hollywood para "pagar por uma expedição e fazer a mesma coisa". O motivo "não foi porque eu queria fazer um filme", disse Cameron, "Eu queria mergulhar até o naufrágio".

Cameron escreveu um tratamento para um filme sobre o navio, e se encontrou com executivos da 20th Century Fox, incluindo Peter Chernin, lhes apresentando a ideia como "Romeu e Julieta no Titanic". Houve uma longa pausa e Cameron disse, "'Também, pessoal, é um filme de época, custará US$ 150 milhões e não haverá uma sequência' ... ele ficaram, 'Ceeeertoooo – um épico romântico de três horas? Claro, é exatamente o que queremos. Há um pouco de Terminator nisso? Algum jato Harrier, tiroteios ou perseguições?' Eu disse, 'Não, não, não. Não é isso'". O estúdio duvidava das perspectivas comerciais da ideia, porém, esperando uma relação de longa duração com Cameron, lhe deram luz verde.

Cameron convenceu a Fox a promover o filme baseado na publicidade do fato de estarem filmando nos próprios destroços do Titanic, além de ter organizado vários mergulhos no local durante um período de dois anos. "Minha apresentação para aquilo tinha de ser um pouco mais detalhada", disse Cameron, "Então eu disse, 'Vejam, temos de fazer toda essa abertura onde eles exploram o Titanic e encontram o diamante, então teremos várias tomadas do navio'". Cameron também disse que, "podemos fazer isso com modelos elaborados, tomadas de motion control, CG e tudo mais, que custará X – ou gastar X mais 30% e ir realmente filmar no verdadeiro naufrágio". A equipe filmou nos verdadeiros destroços no Oceano Atlântico onze vezes em 1995, passando mais tempo no navio do que seus passageiros. Naquela profundidade, com uma pressão de 6.000 libras por polegada quadrada, "uma pequena falha na superestrutura do submarino significaria morte instantânea para todos abordo". Os mergulhos não foram apenas de alto risco, mas as condições adversas impediram que Cameron conseguisse registrar as imagens de alta qualidade que queria. Durante um dos mergulhos, um dos submersíveis colidiu com o casco de Titanic, danificando tanto o submarino quanto o navio, deixando fragmentos da hélice espalhados pela superestrutura. A antepara exterior da cabine do Capitão Smith caiu, mostrando o interior. A área de entrada da Grande Escadaria também foi danificada.

Descer ao verdadeiro lugar fez Cameron e a equipe quererem "fazer jus a aquele nível de realismo ... Porém houve outro nível de reação ao voltarem dos destroços, que isso não é apenas uma história, não foi apenas um drama", disse ele, "Foi um evento que aconteceu com pessoas reais que realmente morreram. Trabalhando no naufrágio por tanto tempo, você tem uma sensação tão forte da tristeza profunda e da injustiça de tudo, e sua mensagem". Cameron complementa, "Você pensa, provavelmente não haverá muitos cineastas que irão ao Titanic. Talvez nunca haja algum – talvez um documentarista". Por isso, o cineasta sentiu "um grande manto de responsabilidade para transmitir a mensagem emocional – para fazer isso certo, também".

Depois de filmar as tomadas submarinas, Cameron começou a escrever o roteiro.[31] Ele queria honrar as pessoas que morreram no naufrágio, passando seis meses perquisando sobre toda a tripulação do Titanic e seus passageiros. "Li tudo que consegui. Criei uma linha do tempo extremamente detalhada dos poucos dias do navio e uma linha do tempo muita detalhada de sua última noite de vida", disse ele. "E trabalhei nelas para escrever o roteiro, e tive alguns especialistas históricos para analizar o que escrevi e comentarem, ajustando-o". Ele prestou uma atenção meticulosa ao detalhe, incluindo até uma cena mostrando o papel do SS Californian na morte do Titanic, apesar de a cena ter sido cortada posteriomente. Desde o início das filmagens, todos tinham "uma visão bem clara" do que aconteceu naquela noite. "Eu tinha uma biblioteca que ocupava uma parede inteira do meu escritório com 'coisas do Titanic', porque eu queria ser correto, especialmente se estivéssemos indo para mergulhar ao navio", disse o diretor, "Isso estabeleceu um padrão alto – elevou o filme de algum modo. Queriamos que essa fosse uma visualização definitiva desse momento histórico como se você tivesse pego uma máquina do tempo para filmá-lo".

Cameron achava que o naufrágio do Titanic era "um grande romance que realmente aconteceu", mesmo assim ele havia se tornado um mero conto moralista; o filme daria ao público a experiência de vivenciar a história". O caçador de tesouros Brock Lovett representava aqueles que nunca haviam conectado o elemento humano a tragédia, enquanto que o florescimento do amor entre Jack e Rose, ele acreditava, seria a parte mais instigante da história: quando o amor dos dois é finalmente destruído, o público lamentaria a perda. "Todos os meus filmes são histórias de amor", disse Cameron, "mas Titanic finalmente tem o equilíbrio correto. Não é um filme desastre. É uma história de amor com uma meticulosa sobreposição de história real". Cameron então criou a velha Rose para fazer os anos intervenientes mais palpáveis e pungentes. Para ele, o final do filme deixa em aberto a questão se a velha Rose estava sonhando ou tinha morrido dormindo.

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